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☼ HISTÓRIA DA VILA: ÚLTIMA PARTE

Foto: Ana Ferreira
Após 45 anos da perda das terras, a Vila de Ponta Negra ainda não conseguiu se recuperar dos danos causados pela expropriação. A impossibilidade de praticar a agricultura de subsistência e o fato da pesca não conseguir se sustentar como atividade principal, fez com que os moradores deixassem de ser pequenos produtores diretos e passassem a categoria de proletariado e em seguida, com o advento do turismo, comerciantes e ambulantes.

Foi preciso contar (resumidamente) a trajetória dessa comunidade para se poder compreender como a Vila de Ponta Negra se insere no conceito “underclass”, discutido por Loïc Wacquant no livro “As prisões da miséria” e como o Estado Neoliberal, (nesse caso representado pela Polícia) se comporta com essa comunidade.

Sou moradora de Ponta Negra há mais de cinco e pude observar grandes mudanças ocorridas no bairro, e principalmente na Vila de Ponta Negra. Pude perceber, também, como a imagem do bairro mudou para os natalenses depois que as conseqüências do boom turístico mal planejado e da falta de controle econômico e social saíram nas páginas dos jornais locais. Hoje Ponta Negra é tida como local de prostituição, venda e uso de drogas e de acentuada violência urbana.

A primeira década do século XXI foi um período de grandes transformações em Ponta Negra. A atividade turística deu um salto (maior que as pernas) gigantesco e no final de 2009 teve uma queda brusca ocasionada por diversos fatores relacionados a falta de planejamento dessa atividade dentro de Natal. O fato é que a Vila sofreu na pele tais conseqüências muito mais que os moradores de outras áreas do bairro. O motivo: a maioria dos moradores da Vila são trabalhadores informais, assalariados e com baixo de escolaridade; são esses moradores que dependem diretamente da atividade turística como fonte de sustento. Com o declínio do turismo, somado aos problemas sociais e abandono do poder Público, a comunidade entra em uma nova crise.

Na ausência de qualquer rede de proteção social, é certo que a juventude dos bairros populares esmagados pelo peso do desemprego e do subemprego crônicos continuará a buscar no “capitalismo de pilhagem” da rua (como diria Max Weber) os meios de sobreviver e realizar os valores do código de honra masculino, já que não consegue escapar da miséria no cotidiano. (Wacquant, pág. 5, 1999)

Durante a produção do Rádio Documentário Vozes da Vila, do qual fui produtora e roteirista, pude perceber que as famílias que foram produtoras e auto-suficientes antes da expropriação das terras agricultáveis e que viviam livres dentro de um espaço onde havia trabalho para todos estão sufocadas e esmagadas dentro de becos e barracos, se submetendo a trabalhos assalariados ou tendo que descer e subir, todos os dias, as ladeiras da Vila a custo enorme de força física de tração quase animal, empurrando seus carrinhos* pela praia mais visitada de Natal-RN. Os jovens dessas famílias estão sendo engolidos pelo tráfico e consumo de drogas e a mídia local insiste em noticiar os fatos isolados de violência juvenil.

No dia 26 de junho de 2010, aconteceu um acidente na Rua Morro do Careca. O jornal Tribuna do Norte noticiou o acontecido:

Atentado mata uma criança e deixa cinco feridos em Ponta Negra.
Cinco pessoas ficaram feridas e um bebê de seis meses morreu após atentado na rua Morro do Careca, na Vila de Ponta Negra. Segundo informações do coronel Alarico Azevedo, por volta das 22h30, um veículo branco parou próximo a casa, que fica em uma esquina, e os ocupantes atiraram contra quem estava na rua. (http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/atentado-mata-uma-crianca-e-deixa-cinco-feridos-em-ponta-negra/152670)

No dia 29 do mesmo mês, a polícia se pronuncia dizendo o seguinte ao mesmo jornal:

O delegado titular da 15ª Delegacia de Polícia em Ponta Negra, Luiz Lucena, já identificou alguns dos responsáveis pelos vários tiros disparados na noite de sábado, na rua Morro do Careca, na Vila de Ponta Negra, zona Sul de Natal, e que resultaram na morte do bebê Rafael Alexandre e deixaram mais cinco pessoas feridas. A “tentativa de chacina” teria sido motivada, segundo Lucena, por uma rixa antiga e por uma disputa pelo comando do crime na área.

“Temos a informação de que esse grupo teria ido até à festa matar um rapaz que estava lá e que tem uma rixa antiga com eles. Como não o encontraram, saíram atirando a esmo em quem estava na rua”, contou Lucena. Essa rixa seria motivada também pelo controle do crime no bairro. “Não está necessariamente ligada ao tráfico de drogas. São pessoas que querem se destacar no mundo do crime e cometem homicídios por vingança para acabar com os desafetos. Aqui em Ponta Negra está cheio de pessoas desse tipo. Agora, eles são bandidos chinfrins, que tiram a vida de alguém totalmente inocente e revoltam a Polícia e toda a sociedade”, afirmou.(http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/delegado-identifica-atiradores/152782)

Quando um delegado de Polícia afirma que a Vila esta cheia de gente desse tipo em um dos jornais mais lidos da cidade, a população termina acreditando que todos que moram nesse bairro são assim. Muitas vezes presenciei a Polícia Militar abordando pessoas nas ruas. A maioria das pessoas paradas são rapazes, negros com determinado modo de se vestir. Durante a semana do crime, o Jornal Tribuna do Norte fez, durante uma semana, a cobertura diária sobre o caso. Esse seria um momento muito oportuno para iniciar uma discussão sobre os problemas socioeconômicos do bairro mas (como era de se esperar isso não foi feito).

Todos os dias acontecem um ato de violência cometido por homens ou mulheres dentro da Vila de Ponta Negra. O número de meninas grávidas aumenta junto com o número de adolescentes e jovens usando drogas. O número de pessoas que acham corretas as intervenções violenta da polícia também aumenta.

Essa violência policial inscreve-se em uma tradição nacional multissecular de controle dos miseráveis pela força, tradição oriunda da escravidão e dos conflitos agrários, que se viu fortalecida por duas década de ditadura militar, quando a luta contra a “subversão interna” se disfarçou em repressão aos delinqüentes. (WACQUANT, pág. 5, 1999)

Assim como os moradores negros de bairros pobres de Nova Yorque sofreram, na década de 1990, a truculenta operação Tolerância Zero, os descendentes de ex-agricultores e pescadores estão sofrendo na Vila. E (quase) nada é feito para que haja uma mudança social. Os moradores não acreditam na Polícia como defensora de uma ordem geral. Ela é vista como a força do Estado que defende o interesse de quem esta inserido dentro da sociedade do consumo.

“Infelizmente a Vila de Ponta Negra não tem segurança para os seus moradores. Uma vez ou outra é que passa uma viatura da polícia, mas nós precisamos de um policiamento contínuo. Para se ter uma ideia, há anos lutamos para que seja colocado um posto policial aqui, mas até agora nada foi feito. Agora na parte rica de Ponta Negra tem posto policial e ronda constante”, reclamou o presidente do Conselho Comunitário de Ponta Negra, Emanoel Damasceno. (http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/medo-toma-conta-dos-moradores/152880)

Os moradores mais antigos reagem como podem. A Vila é uma das únicas comunidades de Natal em que os mestres de Cultura Popular estão inseridos e atuando dentro dos (poucos) movimentos sociais organizados. Os movimentos sociais existentes na Vila ainda atuam de maneira isolada, mas já é possível ver alguns resultados, o problema é que a iniciativa não parte dos nativos, ela vem de pessoas que moraram no bairro há muito tempo e que tem certa influencia social (artistas, professores, jornalistas, etc.).

Neste momento, Ponta Negra está numa grande encruzilhada: ou busca um equilíbrio entre interesses sociais e econômicos, ou perde de vez o que resta de magia, de tradições e de cultura. Há um novo ciclo de investimento em infra-estrutura urbana se aproximando com a realização da Copa de 2014, e Natal precisa se adequar para receber algumas partidas do campeonato mundial de futebol. Como a cidade tem vocação turística e a praia de Ponta Negra é o principal destino de todos os visitantes que desembarcam na capital do Rio Grande do Norte, resta saber o que o futuro aguarda para esse pedaço de paraíso.

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☼ UMA BREVE HISTÓRIA DA VILA

Você conhece a história de Ponta Negra?

Por ser moradores, sabíamos uns pedaços de história escutadas na escola e outras ouvidas por alguns moradores. Depois de três meses respirando a vida do bairro e escutando as várias vozes que nele vivem pudemos fazer um apanhado de informações interessantíssimas.

E como conhecimento nunca é demais e também não ocupa espaço, decidimos compartilhar essa rica história baseada nas memórias dos nativos e moradores que tanto amam esse bairro.

Uma das primeiras referências históricas a Ponta Negra é a descrição do desembarque, em 8 de dezembro de 1633, de tropas holandesas. Alguns registros de 1877 falam de uma casa de oração no povoado e de uma escola católica pública exclusiva para meninos. O primeiro nome da localidade foi Cabo de São Roque, depois passou a se chamar Ponta Preta, isso graças à quantidade de pedras pretas vistas de cima da estrada mas depois, Ponta Negra caiu no gosto popular. 

Os registros escritos sobre a história de Ponta Negra são escassos e, para fazer escrever esse capítulo, tomamos como ponto de partida os anos 1940, pois o texto que utilizamos como referencial histórico para analisar a comunidade, retoma seu cotidiano e seus laços familiares a partir dessa década. O texto em questão é: A Família e Mudança Social, tese de Mestrado da antropóloga norte-americana Martin Lois Garda, defendida em 1983, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

O Início

Bem antes de ser ponto turístico da Cidade do Sol, Ponta Negra era um povoado de agricultores e pescadores, vivendo independente do centro da cidade e cercado de dunas cobertas pela vegetação nativa de tabuleiro costeiro e um extenso mar azul de águas mornas e calmas. Um verdadeiro paraíso!

A população era praticamente auto-suficiente no que diz respeito à alimentação, pois tudo era produzido dentro do território da comunidade. As tarefas diárias (o trabalho) eram assim divididas: os homens praticavam a pesca artesanal, a agricultura de subsistência plantando milho, feijão, mandioca entre outros e produziam carvão. As mulheres produziam renda de bilro e colhiam frutas da estação no Tabuleiro Costeiro para vender no centro da cidade e também cuidavam dos afazeres domésticos e dos filhos. Três casas de farinha concentravam a produção, reunindo famílias em cantigas, danças e cooperativismo.

O desenvolvimento urbano desse povoado teve início na década de 1940, mas sua primeira grande transformação social e econômica aconteceu após quase 20 anos de disputa pelas terras agricultáveis entre os nativos e Fernando Pedroza - corretor imobiliário com grande influência política no Estado e cuja família já criava algumas cabeças de gado nas terras de Ponta Negra.

Para que possamos compreender o porquê dessa disputa é necessário abrir um parêntese e contextualizar um período histórico da cidade do Natal que teve relação direta com essa luta.

Aguarde o próximo post...

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☼ AS VOZES EM PROJEÇÃO NACIONAL

Os 300 anos de cores e sons da Vila de Ponta Negra poderão ser ouvidos em radiodocumentário. O projeto Vozes da Vila está em fase de edição e montagem. Ainda em outubro será enviado à Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub) para distribuição nacional entre rádios associadas. Em Natal poderá ser escutado nas rádios Universitária e Senado. 

O projeto foi aprovado no edital Prêmio Roquette-Pinto, da Arpub - com patrocínio da Petrobras e do Ministério da Cultura, que selecionou 40 projetos de todo o Brasil, destes, apenas 13 são radiodocumentários. E o único projeto potiguar aprovado foi o radiodocumentário Vozes da Vila, roteirizado por Yuno Silva e Ana Ferreira e dirigido e produzido por Joanisa Prates.

Serão seis horas de programa, divididos em 12 episódios de 30 minutos cada. Funcionará como uma espécie de registro sonoro e histórico de tudo o que a Vila de Ponta Negra tem para contar: as rendeiras de bilro, a luta pela terra, a invasão militar, os grupos de cultura popular, movimentos sociais, turismo, educação, sabores da vila, surf e pescadores, religião, festejos, lendas e histórias de Lobisomem.

"Antes de ser internacionalmente conhecida como principal cartão postal da cidade; antes de ser vista como destino turístico e/ou reduto boêmio; e bem antes de ir parar nas páginas policiais, a Vila de Ponta Negra já era um grande celeiro de Cultura e tradições que resiste ao tempo, a tudo e a todos. O bairro é guardião de uma história com mais de 300 anos, ainda pouco conhecida pelos natalenses", comenta o roteirista do projeto, Yuno Silva. 

Joanisa Prates destacou a experiência dos três envolvidos com o rádio. "Mas produzir um rádiodocumentário foi um desafio pra nós. Estamos cordelizando o roteiro para poetizar os relatos". Joanisa acredita na veiculação do projeto nas rádios locais até o fim do ano. O I Concurso de Fomento à Produção de Programas Radiofônicos / Prêmio Roquette-Pinto priorizou temas que valorizam a Cultura brasileira.

por Sérgio Vilar | Foto: Yuno Silva

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☼ CULTURA NAS ONDAS DO RÁDIO

Já imaginou escutar além de música e notícia, um pouco da cultura do seu estado? Partindo de um ideal de resgate cultural é que a equipe do projeto VOZES DA VILA está produzindo um radiodocumentário, tendo como cenário para as gravações, a Vila de Ponta Negra, considerada celeiro cultural de Natal/RN. A comunidade está localizada junto a um dos mais belos cartões postais da cidade que é a praia de Ponta Negra.

Mestre Severino do Coco de Roda
Foto: Joanisa Prates

O radiodocumentário VOZES DA VILA trata-se de um projeto com seis horas de programa, dividido em 12 episódios de 30 minutos cada, que abordará aspectos e temas distintos como Cultura Popular, Pesca e Surf (Homens ao Mar), gastronomia (Sabores da Vila), turismo, educação, meio ambiente, urbanismo, lendas, crenças e religiões.

A produção do radiodocumentário está em andamento e o prazo para conclusão foi definido para o início de outubro, quando será enviado à Arpub – que irá distribuir nacionalmente entre suas rádios associadas. Ou seja, além do VOZES DA VILA ser veiculado pela Universitária FM (RN), o programa também será transmitido para todo o País.

Parabéns a equipe pela iniciativa!

* Fonte: Não eh um blog - 23/set/2010
por Lamonier Araújo (@lamonier)

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☼ DETALHES DA PRODUÇÃO

A narrativa do radiodocumentário VOZES DA VILA será um elemento importante para a compreensão do conteúdo, por isso será adotada locução despojada e animada, interpretada por ator experiente. Os textos serão rimados em formato de cordel e as entrevistas intercaladas por intervenções explicativas e objetivas (também em versos), fatores que irão manter o interesse do ouvinte e reforçar a contextualização do assunto abordado. O clima regional será reforçado por trilha sonora original, produzida por músicos potiguares.

Cortejo Cultural da Vila: Congos de Calçola
Foto: Joanisa Prates

As pesquisas sobre a origem e a cultura da Vila de Ponta Negra serão realizadas numa perspectiva interdisciplinar, através do olhar de diferentes áreas, na interface entre Comunicação Social, Ciências Sociais, Turismo, Arquitetura, Meio Ambiente e Artes, resultando na produção de um conhecimento que possa gerar um documentário contemplativo sobre passado, presente e futuro dessa região.

Apesar de diversificado, há características comuns no público alvo do radiodocumentário, como: interesse histórico, educativo e cultural; preservação da identidade cultural; preservação e divulgação de patrimônio imaterial; meio ambiente; conflitos sociais e urbanos; ocupação do solo; saneamento básico e turismo.

DIREÇÃO e PRODUÇÃO EXECUTIVA - Joanisa Prates
PRODUÇÃO, PESQUISA e ROTEIRO - Ana Ferreira e Yuno Silva
CORDEL e POESIA - Emmanoel Iohanan
LOCUÇÃO - Rodrigo Bico
TRILHA SONORA - Carlos Zens
EDITOR DE ÁUDIO - Eduardo Pandolphi
CAPTAÇÃO DE ÁUDIO e SONOPLASTIA - Rafael Telles
TRANSCRIÇÃO - Janaina Spineli
PRODUÇÃO AUDIOVISUAL - Mudernage

EPISÓDIOS

1. ERA UMA VOZ NA VILA... – introdução e apresentação, histórico, dados e estatísticas, contextualização e atualidades;

2. HOMENS AO MAR – pescadores, surfistas, início da relação comunidade x mar, atividade comercial e fatos históricos;

3. SABORES DA VILA – os quitutes que resistiram ao tempo, os primórdios da comunidade em torno das casas de farinha, especialidades culinárias, o contexto atual com a altíssima gastronomia mundial;

4. CULTURA POPULAR (PARTE 1) – origem, presente e futuro das manifestações culturais, a resistência dos grupos e a nova geração;

5. CULTURA POPULAR (PARTE 2) – detalhes sobre cada um dos grupos: Bambelô, Congos de Calçola, Boi de Reis, Coco de Roda, Pastoril e Lapinha;

6. LENDAS E HISTÓRIAS – o lobisomem, as lendas da comunidade contadas pelos mestres da cultura popular, histórias de pescador e personagens da Vila;

7. TURISMO E ECONOMIA – o potencial turístico, a beleza natural exuberante, a especulação imobiliária, degradação ambiental, poluição do mar, falta de saneamento, crescimento urbano desordenado e abismo social;

8. ARTES DA VILA – as rendeiras, atividades artísticas e culturais desenvolvidas no bairro: circo, teatro, dança, música, ponto de cultura, cineclube;

9. CRENÇAS E RELIGIÕES – a hospedagem do Papa João Paulo II, igrejas católicas, evangélicas, terreiros de candomblé, centros espíritas e reuniões budistas;

10. MEIO AMBIENTE E URBANISMO – a ocupação irregular do solo, a verticalização radical do bairro, os zoneamentos de áreas de interesses específicos, a complexidade urbana, a falta de espaços públicos de lazer e o ecossistema social;

11. MOVIMENTOS SOCIAS – projetos de amparo social, presença de instituições públicas e/ou privadas no bairro, atuação de ONGs, movimentos populares, voluntários, necessidades, novas iniciativas e projetos de segurança pública;

12. COMUNICAÇÃO POPULAR E EDUCAÇÃO – televisão pública na praça, fofoca comunitária, as primeiras escolas, os primeiros professores, o Patronato (internato católico), interação da Vila com Natal antes das construções de estradas.

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☼ CONTEXTO HISTÓRICO


Antigo conglomerado agrícola e familiar, a Vila de Ponta Negra assistiu de camarote sua primeira grande transformação com a mudança no meio de subsistência. No início da década de 1960, plantações foram destruídas pelo Governo vigente e existem relatos atestando que moradores chegaram a adoecer, e mesmo a morrer, pelo desgosto de ver sua terra ameaçada e destruída.

Cortejo Cultural da Vila: Congos de Calçola
Foto: Joanisa Prates

Desde então, as principais atividades econômicas passaram a ser a pesca e o comércio.

Atualmente, Ponta Negra concentra os principais investimentos imobiliários e turísticos de Natal e, dentro desse contexto, a cultura e a essência da Vila estão caindo no esquecimento dos natalense e dos próprios moradores do bairro. A maioria dos turistas não entra em contato com esse rico manancial de tradições, manifestações da cultura popular e atividades artesanais, e as novas gerações estão perdendo o interesse em perpetuar essas tradições devido a constante desvalorização de sua identidade cultural.

Sendo assim, VOZES DA VILA, propõe contar, em doze episódios, o universo sociocultural da Vila de Ponta Negra, buscando resgatar os pormenores de sua trajetória desde seu surgimento até os dias de hoje.

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☼ VÍDEOS - VOZES TV


Um dia em Ponta Negra mostra como é o cotidiano dos trabalhadores informais da praia. Com uma trilha sonora totalmente potiguar, o "curta-documentário" transcorre de maneira espontânea, buscando deixar evidente os personagens que atuam diariamente nas areias da beira mar.



As renderiras da Vila de Ponta Negra se reúnem todas as tardes na casa da Mestra Maria de Lourdes. Essa arte secular corre o risco de desaparecer em Natal pois a maioria das meninas, moças e mulheres não se interessam em aprender essa atividade que um dia foi muito rentável. Por que será que um bairro como Ponta Negra, que recebe milhares de turistas de todo o mundo, não consegue fazer da tradição uma fonte de renda para os moradores?



Congos de Calçola - Reduto Cultural, a Vila de Ponta Negra é guardiã de memórias e tradições transmitidas de geração em geração.

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